CCXP 2016 – Foi épico pra c@r@l#0!

Oi, leitores e leitoras!
Quanto tempo, né?
Então, eu sei que andei sumido daqui por uns bons meses. Desde que voltei do FIQ de 2015 e desde que mudei de cidade, percebi que meu trabalho com os quadrinhos precisava se adequar à minha realidade.

E parece que toda essa mudança foi para me preparar para o maior evento de cultura pop do Brasil, a Comic Con Experience!
Se você estava em outro planeta durante os últimos meses, a feira aconteceu nos dias 01 a 04 de dezembro em São Paulo/SP. Este ano dividi a mesa com meu amigo Digo Freitas, o criador do Tinta Fresca e parceiro de projeto em 2016. Bom, na verdade, ao lado dos amigos Carlos Ruas, Pietro Progetti, Leonardo Maciel, Fábio Coala, Rafael Marçal, Wesley Samp e Fábio Ciccone, aquela região do Artists’ Alley virou quase uma mesa quádrupla!

strangerAliás, essa tem sido uma das melhores partes desde que levei meus quadrinhos pra fora de Hell City: estar no meio de tanta gente que produz HQ. Seja por hobby, seja profissionalmente, ou seja porque querer deixar sua marca no meio artístico. A energia de uma convenção é sempre boa!

É sempre bom rever tantos amigos depois de meses, encontrar pessoas que você só viu na internet, conhecer gente nova e conversar com pessoas cujo trabalho você admira.

E quando começa o “fervo” mal dá pra sair da mesa! A circulação de pessoas na CCXP chega a ser assustadora. Mas a vantagem é que isso sempre acaba trazendo gente que já teve algum contato com seu trabalho e, em ocasiões não raras, que já o acompanham há tempos!
Foi muito legal conhecer leitores de longa data do Café do Feliz. Apareceram alguns que conheciam o blog desde as primeiras tirinhas! Um deles é o Éttore, que apareceu de surpresa no domingo pra dar um abraço e retribuir o bar que ele ganhou de presente de aniversário em 2013:

bar

icaroAliás, a recepção do público superou expectativas!
Várias pessoas foram à nossa mesa já procurando o Tinta Fresca porque já tinham ouvido falar! Seja pela recomendação do Sidney Gusman no Universo HQ, pela resenha do Poderoso Porco no MDM, ou mesmo porque ouviu comentários, muita gente chegou à nossa mesa já com o Tinta na cabeça.
E a melhor parte foi quando um menino pegou a revista com os olhos brilhando dizendo que se chamava Ícaro (o protagonista do livro)! Sério, para quem faz quadrinhos, essas são as melhores recompensas! Posso dizer, tanto por mim quanto pelo Digo, que nossa função como quadrinistas foi cumprida com satisfação. E agradecemos a todos vocês, leitores, pelo carinho que estamos recebendo.

Claro que podia ter sido melhor. A reclamação geral sobre o evento foi o palco rock que estava bem próximo ao Artists’ Alley, fazendo a galera forçar o gogó pra conseguir ser ouvido. E o fucking palco da Netflix com seu fucking karaokê, que nos fez ouvir as piores interpretações de What’s Up do 4NonBlondes. Aquela música chiclete que tocou naquela cena memorável de Sense8. Graças à isso, agora eu odeio a série. ¬¬

O chato de você ir no evento pra trabalhar também é perder quase todas as atrações e painéis. Dos atores gringos, eu mal lembro quem estava lá. Não tive nem meia chance de pegar autógrafo de uns picas dos quadrinhos, como o Eduardo Risso, o Simon Bisley, o Frank Quitely, etc.
Mas consegui tirar uma foto com a Laerte! =D
laerteDe qualquer jeito, são quatro dias inesquecíveis para qualquer fã de quadrinhos e cultura pop, tanto para quem está do lado de lá quanto do lado de cá da mesa do Alley.

Eu visitei a CCXP em 2014 como fã e foi uma das melhores coisas que fiz naquele ano. O evento já começou gigante e cresceu ainda mais. Não só pelo número de novidades relacionadas às séries, aos filmes e aos personagens icônicos que amamos, mas pelo cuidado que os organizadores têm em nos proporcionar uma experiência inesquecível. E porque cada vez mais tem coisa pra ver e cada vez mais tem talentos nacionais para se descobrir.

Por falar nisso…img_20161205_130819

Esses são os quadrinhos que trouxe de volta comigo. Alguns eu havia apoiado no Catarse e retirei no evento, mas a maioria foi tipo “shut up and take my money” mesmo. E olha que só não levei mais porque não ia aguentar carregar a mala de volta pra casa!
Quadrinhos estes que foram feitos por essa galera aqui, ó:
quadrinistas

Gente bagarai, né? Pois aí nessa foto mal tinha um décimo da galera. O Artists’ Alley da CCXP contava com uns 400 artistas. Ainda terei uma oportunidade de falar mais sobre os quadrinhos nacionais (independentes ou não) produzidos por toda essa gente querida.

Por enquanto, me despeço de vocês, leitores e leitoras.
Antes, quero deixar um agradecimento especial ao Digo, pelo profissionalismo e pela parceria nos quadrinhos e nos eventos que participamos este ano. Um grande abraço a todos os amigos e amigas quadrinistas, cuja lista já é grande demais pra lembrar de cabeça e não quero correr o risco de deixar ninguém de fora.
E um muito obrigado a todo mundo que pôde comparecer ao evento e dar um pulinho na mesa A16 para dar um abraço e levar um quadrinho, print, botton ou caneca.
Deixo também minha eterna gratidão a todos vocês que me incentivam a continuar a trilhar esse caminho que eu amo. A todos que compartilham posts, deixam seus comentários ou trocam uma ideia no twitter.
Vocês moram no meu S2!

-Feliz

P.S. Vocês já devem ter visto um certo teaser na fanpage e no twitter, mas vou reiterar que em breve teremos novidades!

O Fim de uma Era.

Adeus

Caros leitores e leitoras.
Escrevi esse título sensacionalista de propósito para zoar todos vocês, fazendo vocês pensarem que o blog vai acabar.

Bem, não é hoje!

Mas com este post, anuncio que, por hora, estou suspendendo o Friday, bloody Friday.
Mas calma!! Não xinguem ainda!!
Bom, em agosto do ano passado, a pedido dos leitores, voltei com o Café Diário, que estava suspenso desde 2013. Mas não queria abrir mão de nenhuma sessão na forma que estava. Então, decidi me desafiar e postar 6 vezes por semana! Na época pensei “vamos ver até quando consigo manter a rotina”. E devo dizer que consegui por mais tempo do que imaginei! Porém, com o acúmulo de posts e uma nova realidade surgindo (como a publicação e venda dos quadrinhos, eventos em vista, por exemplo), infelizmente, chegou a hora de voltar à rotina de 5 posts por semana, de segunda à sexta.

“Mas, Feliz, os Fridays eram meus posts favoritos!”
Pois é! E acredite, eu gostava muito de fazer, também! Era um espaço que eu podia sair do formato de quadrinhos e falar sobre qualquer coisa. Qualquer assunto atual relevante, os bastidores da produção das tiras, quadrinhos que li e recomendo, qualquer coisa engraçada… A sessão rendeu alguns dos posts mais memoráveis e mais comentados aqui no blog.

Porém, desde que comecei com os 6 posts por semana, a qualidade dos Fridays foi caindo consideravelmente, até que eu já não estava mais tão satisfeito com os resultados. Afinal, imagine passar a semana inteira desenhando tiras desde domingo, até conseguir bolar um tema bacana na quinta à noite, preparar as imagens, desenhos, diagramar, escrever um texto bom e coerente… Na atual conjectura, com meu dia praticamente todo ocupado, fica meio difícil.
Esses dias, assistindo as novas temporadas dos Simpsons e vendo como a série lamentavelmente enfraqueceu com o passar dos anos, saquei que estava na hora de recuar. Decidi que, por hora, darei foco aos quadrinhos. Tenho ainda muitas ideias para High School Sux, Punk the System e o Café Diário, e pretendo trazer de volta o Giblog ao que era antes, mais surreal, mais livre e mais pessoal.

E o Friday vai acabar pra sempre?
Não! Digo, não exatamente, ou necessariamente. O Café Diário voltou, não voltou? Além disso, eu gosto de escrever, e sempre curti resenhar HQs. Volta e meia encontro um assunto bacana que gostaria de comentar e ouvir a opinião de vocês. Portanto, ainda devo postar um ou outro Friday por aqui. Porém, não semanalmente ou com a obrigatoriedade de antes. Vai ser como uma surpresa (o que, acredito, deve tornar o post mais especial).

E como fica agora?
Como eu disse, os posts voltam a com a periodicidade de segunda a sexta. Além disso, pretendo suspender também, por enquanto, a série do Infeliz e trazer o personagem de volta ao Giblog. Afinal, elas já estavam tão semelhantes que seria redundante ter duas. Além disso, um leitor certa vez me disse que preferia o Infeliz quando não tinha série própria. Infelizmente não lembro quem foi, mas seu desejo é uma ordem, leitor!

Bom, vamos ver como fica o calendário de tiras:

Segunda: Giblog
Terça-feira: High School Sux
Quarta-feira: Punk the System
Quinta-feira: Café Diário
Sexta-feira: High School Sux

Enfim, é isso aí. Espero não ter desapontado (tanto) a todos. Com o tempo extra, pretendo trazer quadrinhos melhores pra vocês e aperfeiçoar a técnica, tanto nos desenhos quanto na narrativa. Além disso, em breve trarei anúncios bem bacanas e algumas novidades!

Por enquanto, vamos relembrar alguns Fridays marcantes?
Listei aqui os meus favoritos!
Friday #015: O Fim do Mundo
Friday #020: Paper Toys
Friday #025: Traindo o Movimento Punk
Friday #030: Paper Toys Parte II
Friday #032: Bastidores Parte II
Friday #033: Rock ‘n’ Comics
Friday #035: Hipsters
Friday #036: Draw My Life
Friday #039: O Dia da Toalha, a Vida, o Universo e Tudo o Mais
Friday #044: Com que Roupa?
Friday #054: Vamos Cozinhar? (Sobre o fim de Breaking Bad)
Friday #065: The Authority
Friday #075: Antes e Depois
Friday #081: Punk que é Punk…
Friday #083: Calvin, Haroldo, Bill Watterson e o Trabalho
Friday #086: Viagem no Tempo
Friday #097: Linguagem Corporal
Friday #098: Remakes!
Friday #111: O Big Brother que Eu Queria Ver
Friday #113: Bastidores Parte III
Friday #117: A Piada Mortal da Capa

Caramba!! Escorreu uma lágrima ao lembrar de tanta coisa já publicada aqui! Tanta história, tanta gente que passou por aqui e deixou seu registro. Tanta gente que comentava nos posts daquela época e está aqui até hoje
Qual foi seu Friday favorito? Qual você acha que faltou aqui?
Da minha parte, vou sentir muita falta dessa sessão. Mais uma vez, peço desculpas aos leitores, mas espero ter mais oportunidades de trazer conteúdo bacana e de qualidade pra vocês.

Então, bom final de semana, leitores e leitoras.
Até segunda-feira!
-Feliz

Friday, bloody Friday #125

Esta semana, após o último capítulo da novela da TV a cabo de Game of Thrones, voltou-se a discutir a polêmica em torno dos spoilers. Mas até quando uma informação sobre um filme, um livro, uma série, HQ ou game é spoiler? Até quando o babaca da roda é você?
Para resolver essas questões, apresento a vocês…
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Abaixo, alguns trechos retirados diretamente do Incrível Manual de Regras (cagadas) sobre Spoilers.

CUIDADO!!!
Este post vai ter spoilers!! Os trechos que contiverem spoilers estarão grafados em amarelo. Se quiser ler, selecione o texto. Mas lembre-se, a surpresa pode não ser agradável!
Esteja avisado!!

Situação 1: Você solta no grupo ou nas redes sociais uma informação crucial para a trama logo após o capítulo de uma série, ou enquanto o filme ainda está em cartaz. Seja por meme ou revelando a informação diretamente. Você não deu chance para as pessoas assistirem ainda. Portanto, você é um babaca.
Ex: Jon Snow morreu no último capítulo de Game of Thrones e todos estão postando memes.

Situação 2: Você está acompanhando uma série na Netflix (ou baixando ilegalmente) que já está avançada, porém você ainda está nas primeiras temporadas. Você curte a página da série no Facebook e vê imagens e pessoas comentando sobre acontecimentos cruciais que você ainda não viu. A culpa, nesse caso, é inteiramente sua. A página serve para discutir os acontecimentos da série e os responsáveis por ela não são obrigados a esperar você alcançar a temporada atual.
Ex: A página de House of Cards posta fotos de Frank Underwood na cadeira do Presidente dos EUA.

Situação 3: Você leu o livro, mas as pessoas do grupo não viram o filme/a série. Ninguém é obrigado a ter lido o livro. Então não estrague a diversão das pessoas que ainda não viram o filme/a série! Porra!
Ex: Dizer que Snape matou Dumbledore semanas antes da estreia de Harry Potter e o Enigma do Príncipe.

Situação 4: Todos no grupo, menos você, já viram o filme/leram o livro em discussão. Nesse caso, você está atrapalhando a discussão dos presentes no grupo. Se você não quiser levar spoiler, saia da roda.
Ex: Todos estão comentando como suas cabeças explodiram quando foi revelado que Tyler Durden e o Narrador são a mesma pessoa em O Clube da Luta.

Situação 5: O filme é um lançamento recente e todos na roda já assistiram, menos você. Aqui se aplica a mesma regra da Situação 4. Todos querem discutir os acontecimentos mais chocantes do filme, mas não podem por sua causa? Sacanagem sua, pô!
Ex: Mercúrio morre em Vingadores – A Era de Ultron. Não viu o filme? Pena, todo mundo viu!

Situação 6: O filme é um clássico, e alguém, nas redes sociais ou pessoalmente, mencionou uma informação crucial que você desconhecia. Bem feito pra você! Certos filmes se tornam parte da cultura global, ninguém tem culpa de você viver em outro planeta.
Ex: Darth Vader é o pai de Luke Skywalker e até quem não sabe direito o que é Star Wars sabe disso.

Situação 7: O filme tem mais de 50 anos. Muita gente provavelmente não viu. Por mais que seja um clássico dos clássicos, nem todo mundo se lembra de buscar obras como Psicose, Cidadão Kane, E o Vento Levou, etc. Quando for indicar o filme, não comente informações cruciais. Fale sobre o filme para que a outra pessoa se interesse e descubra por si só por quê é um clássico dos clássicos.
Ex: Indique Cidadão Kane pela trama intrigante e pela maestria no uso da câmera e da montagem, mas não diga que Rosebud é o trenó.

Situação 8: Você está fazendo um vídeo, gravando um podcast, escrevendo uma crítica ou fazendo um post para seu blog que contém uma informação crucial sobre uma obra (filme, livro, série, game, HQ). A pessoa que procurou o assunto muitas vezes busca informação sobre a obra para conhecê-la melhor e ver se irá gastar seus recursos (tempo e dinheiro) com ela. Caso for dar spoilers no seu trabalho, avise com antecedência para a pessoa se precaver. Se depois disso ela continuou a acompanhar, é responsabilidade dela.

E é isso aí! Essas são algumas das situações previstas que envolvem spoilers. Você conhece mais alguma, leitor? O que você acha sobre o assunto? Já tomou um spoiler na fuça que estragou toda sua experiência de apreciar uma obra? Deixe aí nos comentários!

Bom final de semana e até domingo!
-Feliz

Friday, bloody Friday #123

Olá, caros leitores e leitoras!!
Em Fridays anteriores, já homenageamos filmes e discos. Hoje, os personagens do Felizverso homenageiam as séries que amamos!

Fique com algumas ilustrações. =)

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E um bônus, depois da divulgação do trailer da série da Supergirl!

friday_123_1Curtiu?
Os arquivos estão disponíveis pra você salvar e usar como quiser!
Fiquei de fazer um pôster de House of Cards também, mas não deu tempo! Fico devendo e atualizarei este post assim que ficar pronto.

Bom final de semana e até domingo, leitores!!
-Feliz

 

Friday, bloody Friday #122

Olá, leitores e leitoras cafenautas!
Quando um arco chega ao fim em uma das séries do CdF, costumo fazer um recap.
Como o arco atual de HSS vem chegando ao fim, aqui está!

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Até agora esse arco rendeu 34 capítulos.
Qual deles foi seu favorito? O que você espera do final do arco, e qual a sua expectativa para o que vai acontecer depois?
Deixe sua opinião aí nos comentários!!

Bom feriadão e até domingo, caros leitores!
-Feliz

Friday, bloody Friday #121

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Sei que já tem na net o trailer full de Batman v Superman, mas eu ainda não assisti! Vou esperar sair com qualidade boa…
Mas e vocês, amigos cafenautas?
O que acharam das novidades do mundo pop essa semana? Quais suas expectativas para o que vem por aí para a Marvel, para a DC e para os Jedi?
Diga aí nos comentários!!

Bom final de semana e até domingo!
-Feliz

Friday, bloody Friday #120

Boa sexta-feira, caros leitores!

Neste feriado de Páscoa consegui colocar umas leituras em dia, e hoje vou falar um pouco sobre mais três títulos que andei lendo recentemente. Vamos lá!

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Autor: Akihito Yoshitomi
Publicado no Brasil pela JBC

Eu demorei pra caramba pra pegar esse mangá pra ler. Pra vocês terem uma ideia, comprei na Comic Con Experience em dezembro do ano passado e só fui ler no carnaval. Eu passei no stand da JBC para comprar All You Need is Kill e me deparei com dois volumes de After School of the Earth na prateleira. Me chamaram muito a atenção porque as capas eram fodendo lindas! Folheei as revistas e achei a arte maravilhosa. Comprei só por isso.

Em poucas ocasiões testemunhei uma HQ que desse tanta atenção aos cenários quanto After School of the Earth. A maior parte da história se passa entre paisagens urbanas pós apocalípticas. A arquitetura é tão detalhada e as localizações parecem tão precisas que quase dá pra imaginar como era a vida naquelas cidades, como eram as pessoas que andavam por aquelas ruas e quem eram os habitantes daquelas casas. É possível sentir uma paz incrível ao observar os desenhos das selvas de pedra abandonadas e quase dá pra ouvir o vento quando vemos as ruas completamente inundadas pela água do mar, formando oceanos entre os rochedos artificiais.

Tirando isso, o mangá é uma bosta.
Lembram quando falei que 20th Century Boys tinha um main plot muito bacana, mas pecou no desenvolvimento ao longo das edições? Com After School é a mesma coisa, a diferença é que o mangá completo tem apenas 6 volumes.

A história gira em torno de 4 crianças que de alguma forma sobreviveram ao desaparecimento de todas as pessoas na Terra. Ao mesmo tempo que tentam sobreviver sozinhas, ainda existe a ameaça de criaturas desconhecidas chamadas “Phantoms”. Os phantoms são seres interdimensionais parecidos com o Venom e são responsáveis pelo sumiço de toda a humanidade. Há todo um ar de mistério em volta dessas criaturas e do que causou esta calamidade. Também há um clima bem feel-good nas cenas mais tranquilas e contemplativas. Como eu disse, um plot muito interessante.

Mas, por Deus, os personagens tinham que ser tão irritantes? O grupo de crianças sobreviventes é composto de duas meninas adolescentes (Sanae e Yaeko), uma garotinha de 10 anos (Anna) e um garoto adolescente (Masashi). A personalidade deles é bem definida e distinta entre si, mas é exatamente o que você já viu em animes como Love Hina e Tenchi Muyo. Sanae é a garota tímida e insegura, Yaeko é a extrovertida e sexualmente provocante, Anna é a criança barulhenta e Masashi é o geek que é dedicaZzzzzzzzzz… A relação entre eles é exatamente a mesma dos animes citados acima. As garotas são loucas pelo garoto e ele nem tchum. Até daria pra relevar isso em prol de descobrir o que a foda aconteceu com o mundo, mas essa relação acaba dando o direcionamento principal da trama. Pode ser que eu esteja velho e resmungão demais, mas não consigo mais ter paciência pra mais um Tenchi Muyo da vida. Mesmo que seja no apocalipse.

Por que ler: Pela arte, caso isso faça diferença pra você. E caso você goste de animes e mangás do gênero cara-nerd-que-de-repente-se-vê-rodeado-de-garotas.
Porque não ler: Porque você provavelmente já viu esse gênero de anime/mangá antes antes e não vai querer pagar R$ 13,90 por edição.

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Roteiro: Chris Roberson
Arte: Mike e Laura Allred
Vertigo
Publicado no Brasil pela Painini Comics

Depois do sucesso de Walking Dead e da inundação global de zumbis no cinema, na TV, nos games, nos quadrinhos, livros, na música, toilet media e até nas pegadinhas do Sílvio Santos, ninguém deve mais deve ter saco para o tema. Essa era minha opinião.
Mas tudo mudou quando  a Nação do Fogo atacou iZombie chegou às bancas. Tirando the Walking Dead, há poucos quadrinhos de zumbis que constroem uma narrativa realmente cativante. Sem falar que tem a arte maravilhosa do Mike Allred. Só isso já valeria a grana gasta.

Em praticamente toda histórias de zumbi vemos protagonistas humanos que tentam sobreviver às intempéries de um mundo deteriorado com pessoas mais deterioradas ainda que não pensam em mais nada além de comer carne viva. Aliás, nem pode-se dizer que “pensam”. Mas em iZombie, a protagonista é Gwen, uma zumbi sonhadora, que trabalha como coveira durante o dia e vaga pelos túmulos durante a noite. Uma vez por mês ela precisa comer um cérebro humano fresco, caso contrário ela pode acabar virando um desses zumbis saídos de um filme do George A. Romero.

O mais divertido de iZombie é a irreverência. O mundo da HQ é povoado por outras criaturas desmortas. Os amigos de Gwen são uma fantasma “avoada” que morreu na década de 70 e não se dá bem com novidades do mundo moderno e um geek que, nas noites de lua cheia, se transforma em um “terrieromem”. Tipo um lobisomem, mas ao invés de lobo, ele vira um cãozinho terrier.

Gwen e seus amigos Ellie e Scott (que não é tão amigo assim, na verdade) procuram desvendar o mistério do assassinato do último portador do cérebro que a zumbi comeu. Não porque se importam ou por ser “a coisa certa”, mas porque as memórias do morto ficam enchendo o saco dela até que o assunto pendente seja resolvido. Paralelamente, dois caçadores de criaturas desmortas procuram desmantelar um esquema organizado por vampiras donas de um paintball que atrai idiotas achando que vão comer alguém mas acabam sendo comidos.

É difícil não se encantar com iZombie, seja pelo carisma dos personagens, pelo humor negro, pela narrativa fluida de Chris Roberson ou pela parceria de Mike e Laura Allred, nos desenhos e nas cores. Existem, claro, alguns deslizes na narrativa, como um capítulo todo bem didático sobre os tipos de desmortos que vagam pela terra. Em algumas partes lembra bastante um filme do Nolan. A arte também acaba destoando do conteúdo geral em alguns momentos. Cheguei a ter a impressão que tinha sido finalizada por outra pessoa, até.

Mas no geral a leitura é bem agradável e vai te fazer rir.

Porque ler: Revisita o gênero com humor e com personagens carismáticos. E por Mike e Laura Allred.
Porque não ler: Ainda assim faz parte de um gênero já desgastado. Se você não aguenta mais ouvir falar de zumbis, talvez não curta.

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Autor: David Small
Publicado no Brasil pela LeYa

Há algum tempo o termo “graphic novel” parece ter perdido um pouco o sentido. Para ser categorizado como tal, hoje em dia, basta ter um acabamento bonito e um tratamento editorial mais caro. Por isso, a categoria acaba saturada, e obras como Retalhos, Persépolis e Azul é a Cor Mais Quente disputam espaço com arcos de HQs comerciais encadernados. Nada contra, claro, afinal consumo HQs comerciais aos horrores. Porém graphic novels costumam ser obras com uma narrativa mais intimista, apresentando uma visão única do autor sobre o mundo e uma arte menos direta e mais metafórica. Cicatrizes, de David Small, foi um grande achado.

A leitura é bem rápida (logo direi por quê). Finalizei o livro durante metade de um voo de São Paulo a Hell City. Na outra metade, com o livro no colo, fiquei olhando para as nuvens pela janela e pensando “porra…”

Nesta obra autobiográfica, David Small conta sobre como perdeu a voz após uma cirurgia no pescoço que danificou suas cordas vocais. O silêncio então dita o estilo narrativo. Cicatrizes tem poucas palavras escritas e a comunicação com o leitor se dá principalmente através da arte. A metáfora visual é o recurso mais utilizado para descrever a forma como David atravessa sua infância e adolescência. O medo de encarar um mundo gigante e assustador quando se é criança e angústia de não conseguir ser compreendido. Pior ainda é lidar com a solidão e negligência familiar, vivendo em um estado em que ele quase sempre está prestes a gritar mas não pode. Como se não fosse difícil o suficiente ser adolescente, quando a sociedade mal se importa em te ouvir.

A falta de comunicação, porém, já era regra no lar de David antes da cirurgia. Cicatrizes fala sobre o quão nocivo pode ser um lar onde a comunicação está ausente. Onde os membros da família não compartilham seus pensamentos e opiniões e se expressam através de qualquer outro tipo de ruído, menos a fala. Não demonstram amor e cooperação mútuos, só estão unidos por pura convenção social.

A relação de David com sua mãe é turbulenta e norteia praticamente sua vida e seu comportamento agressivo. As únicas vezes que a vemos sorrir são quando ela não está se dirigindo ao filho. Testemunhamos a deterioração da família através de borrões e imagens que se sobrepõem em monótonos tons de cinza de nanquim aquarelado.

Não há muito mais o que falar sobre Cicatrizes, já que as palavras têm pouco espaço nesta graphic novel.

Por que ler: Principalmente por que é bom dar uma pausa nas figuras multicoloridas e narrativas frenéticas para apreciar uma leitura mais contemplativa e íntima.
Por que não ler: Sinceramente, não vejo motivos pra não ler. Bom… melhor não ler se você estiver num humor muito depressivo.

Bom, fica aí mais um post com algumas recomendações e desrecomendações. Se você já leu ou se interessou por algum dos títulos acima, registre a sua opinião aí nos comentários!

Bom final de semana e até domingo!
-Feliz

Friday, bloody Friday #119

Boa sexta-feira, caros leitores e leitoras!

Tenho recebido muitas fan arts ultimamente! Acho muito bacana a homenagem e o carinho que recebo de vocês, que vêm acompanhando e contribuem para o crescimento do blog! Sempre procuro postá-los na Fanpage, como vocês têm acompanhado.

Para quem recém chegou, reuni aqui algumas artes que venho recebendo desde que comecei o Café do Feliz, com seus respectivos autores. Alguns já chegaram a mandar mais do que um!

Confira:

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Talvez eu tenha esquecido alguma, algumas não consegui recuperar pois recebi há muito tempo… Algumas são de leitores que há muito não dão as caras! Mas procuro sempre guardar.
Mais uma vez, muito obrigado aos leitores que enviaram suas artes! É uma grande alegria receber desenhos de vocês!
Para mandar um desenho, envie um e-mail para o cafedofeliz@gmail.com ou por mensagem inbox na Fanpage.

Bom feriado pra vocês e até domingo!!
-Feliz

Friday, bloody Friday #117

Antes de começar, acho pertinente dizer algumas coisas.

1- O post de hoje é propositalmente longo, porque pretendo abordar vários aspectos do assunto. Por isso, se for deixar comentário, leia até o final. Não faz sentido comentar se for para cair em contradição com a proposta do texto.

2- O assunto é complicado e não deve ser observado levianamente. Então, seria de bom tom evitar comentários baseados em clichês. Intolerância também não será permitida.

3- Provavelmente muita gente não vai gostar do que vai ler aqui. Já estou escrevendo isso preparado para perder leitores e até alguns amigos que porventura vierem pra cá. Sem brincadeira. Mas procure, pelo menos, pensar sobre o assunto. Só é possível evoluir como pessoa confrontando diretamente com coisas que desafiam nossas crenças preestabelecidas.

Killing-Joke

Rafael Albuquerque é um desenhista brasileiro que já realizou vários trabalhos independentes reconhecidos internacionalmente e em parceria com as maiores editoras de quadrinhos do mundo.

Particularmente, gosto bastante do seu trabalho em Vampiro Americano. Porém, meu trabalho favorito do artista é em conjunto com Mateus Santolouco e Eduardo Medeiros na HQ roqueira Mondo Urbano. As representações do mundo musical neste álbum me inspiram até hoje na criação de Punk the System.

Recentemente a DC Comics anunciou algumas capas alternativas para seus quadrinhos que serão publicados em junho, em comemoração aos 75 anos do Coringa. As variantes trarão o palhaço do crime junto com os heróis do título. A discussão começou quando a editora mostrou o preview da Batgirl #41, desenhado por Albuquerque.

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A ideia da capa é homenagear o clássico “A Piada Mortal”, com roteiros de Alan Moore e desenhos de Brian Bolland. A HQ é uma das mais conhecidas do Batman e traz a origem do Coringa, além de mostrar um momento marcante na carreira de Barbara Gordon (Batgirl), que é aleijada com um tiro na bacia e violentada. A imagem divulgada causou comoção entre o público feminino, visto que sugere casos de violência contra a mulher, além do tom não condizer com o público da HQ da Batgirl, majoritariamente feminino e juvenil. Rafael Albuquerque, então, pediu à DC que a capa não fosse publicada. Segue a declaração do artista:

“Para mim, foi uma capa assustadora que trazia algo do passado da personagem, e eu fui capaz de interpretar isso artisticamente. Mas ficou claro que, para outros, isso tocou em um nervo importante. Eu respeito essas opiniões e, sem entrar no mérito de quem está certo ou errado, acredito que nenhuma opinião deva ser desacreditada. Minha intenção nunca foi ferir ou desapontar ninguém com meu desenho. Por essa razão, recomendei que a DC não publicasse a capa. Fico incrivelmente grato que a DC Comics tenha ouvido minha preocupação e decidido não publicar o desenho de capa em junho como anunciado anteriormente”.
Via Omelete

A reação dos nerds com a divulgação do cancelamento foi padronizada:
“QUANTO MIMIMI”
“GERAÇÃO LEITE COM PERA!”
“GERAÇÃO DEDO NO CU!”
“PATRULHA DO POLITICAMENTE CORRETO!”
“MALDITA GERAÇÃO MIMIMI!”

E é isso que vamos discutir no post de hoje.

MIMIMI?

A internet virou um ambiente insuportável desde que as pessoas aprenderam a usar o termo “mimimi” em discussões. Sério, a cada vez que vejo alguém dizer que isso ou aquilo é “mimimi”, um pouco da minha fé nas humanidade morre. Esse é o Argumentum ad hominem da moda. Quer dizer, a pessoa responde atacando diretamente a outra, nesse caso ridicularizando-a. O ad hominem não tem valor argumentativo, por ser uma falácia.
fudencio
É uma falácia pois atribui valor negativo à outra proposição sem observar seu conteúdo. Além de não ter valor argumentativo, é praticamente o equivalente a dizer “é a vovozinha”, o que é completamente infantil. Porém, a pessoa que adora chamar tudo de mimimi costuma se achar A VENCEDORA DO DEBATE. Claro, campeão, vai lá debater na ONU.

PATRULHA DO POLITICAMENTE CORRETO

pol surpresaComo produtor de conteúdo, costumo pesar bastante sobre o que vou escrever e desenhar. Afinal, o que é publicado na internet está aí pra qualquer um ver, e ninguém além de mim é responsável pelo que escrevo no Twitter, no Facebook e pelo que posto no Café do Feliz. Mas, invariavelmente, acabo chegando num ponto que me faz pensar “será que devo postar isso?”.
Quando me deparo com esses dilemas, uso a Regra de Gentili. Pergunto a mim mesmo: “O Danilo Gentili postaria isso?”. Se a resposta for sim, não posto e abandono a ideia.

Gentili é um dos humoristas da nova geração que carrega o estandarte do “politicamente incorreto”.  Porém, aparentemente, sua definição do termo é “posso dizer o caralho que eu quiser pro mundo inteiro, sem consequência nenhuma, e quem não gostar é que está errado”.

Mas há muita coisa por trás de uma piada, por trás de um meme, por trás de uma capa de HQ. Primeiro, pelo que vi, quase todo mundo que se irritou com a retirada da capa não levou em conta que a HQ da Batgirl é voltada ao público feminino infanto-juvenil. Muitos sequer sabiam disso! Como alguém vai fazer um julgamento desses sem levar isso em conta? É pra isso que existe classificação etária no cinema, na TV e outras mídias. É por isso que você provavelmente iria pensar duas vezes antes de deixar seus pimpolhos assistirem Game of Thrones.

Segundo, em minha observação dos comentários padrão, percebi que a maioria esmagadora são homens em seus 20 ~ 30 anos (tinha uma ou outra mulher que reclamou também, mas eram 4 ou 5 entre literalmente CENTENAS de caras). Esse nerd normalmente tem mais conhecimento sobre quadrinhos e já leu A Piada Mortal (que aborda um tema mais adulto). Uma vivência completamente diferente da garota de 10 anos que lê Batgirl por seu tom divertido e descontraído. Algum desses nerds chegou a considerar isso? Duvido.

NEM TUDO É SOBRE VOCÊ

Proponho que façamos um exercício, aqui. Tente colocar de lado por uns instantes sua vivência e experiências pessoais. Tente colocar de lado as convicções que você carrega diariamente. Ao invés disso, vamos tentar nos colocar no lugar de outra pessoa em uma determinada situação. É bem difícil, sim, mas isso se chama empatia.

Imagine que você é uma pessoa negra e vê em uma livraria a HQ “Tintin no Congo”. Você lê a história e percebe que os personagens da sua etnia são desenhados quase como se fossem macacos e têm comportamento selvagem, beirando o irracional. Enquanto isso, outros personagens (brancos) falam como pessoas, agem como pessoas e (veja só!) são desenhados como pessoas! Como você se sentiria?

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O álbum “Tintin no Congo” foi lançado em 1931. Não muito tempo depois do comércio de negros como escravos e naquela época racismo não era crime. Era comum e até socialmente aceitável considerar pessoas negras inferiores e pessoas brancas superiores. Parece absurdo, não? Pois é. Mas provavelmente você, branco, seria uma das pessoas que diriam “essa geração leite com pera é foda!”.

O que eu vejo nesse momento da História é uma situação semelhante. Mais uma vez, convido a todos para um exercício de empatia. Você é uma mulher. Você não pode escolher suas próprias roupas pra sair de casa sem se preocupar se vão te chamar de “vagabunda”. Você constantemente é alvo de passadas de mão e esfregadas nos ônibus, nos metrôs, na rua, em bares. Você é avaliada negativamente pelo seu comportamento sexual. Se você fez e faz sexo com vários parceiros, você é puta. Se não faz, é frígida. Se você dá moral, é “fácil”. Se não dá, provavelmente é lésbica. A publicidade trata você como objeto de consumo. Os homens, nesse contexto, assim doutrinados desde pequenos, são levados a acreditar que você, mulher, é dele por direito. Ele viu nos desenhos animados um homem das cavernas arrastando sua mulher, sua caça, pelos cabelos. Ele sente que tem poder sobre você. E você está ciente que ele sabe disso. Portanto, você sente medo ao passar perto de um bando de homens na rua. Se for à noite, pior ainda. Afinal, o medo é a reação instintiva que serve para sua proteção e sobrevivência. Nesse contexto, como você se sentiria ao ver a capa?

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Compare as duas situações, e perceba o seguinte, antes de dizer “ah, então não pode mais ter violência nos quadrinhos?”: Não estamos discutindo aqui “violência nos quadrinhos”.
Não estamos falando sobre o que acontece na história, até porque o público alvo do gibi da Batgirl provavelmente nunca leu A Piada Mortal. Estamos falando sobre entender o contexto em que outra pessoa enxerga a mesma situação que você e as formas como isso as  afeta. “Mas o Coringa é vilão, queria que ele desse flores?”. Mais uma vez, não estamos discutindo aqui o caráter do vilão, estamos analisando uma imagem específica (que tem diversos elementos semióticos chave contidos nela) dentro de um contexto específico.

Ainda insiste na história do “mimimi”? Ok, vamos mais uma vez falar sobre empatia, com um exemplo que talvez seja mais fácil. Você é cristão? Se não é, provavelmente deve ter crescido em um lar cristão. Ainda se não for o caso, coloque-se no lugar de uma pessoa que vai todo domingo à igreja e vê imagens da trajetória de seu salvador nos vitrais. Agora, dê uma olhada na capa de natal desta HQ da editora Atlas, em homenagem ao clássico “A Noite dos Mortos Vivos” de George A. Romero.

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A capa mostra a Sagrada Família num frenesi canibal. José e Maria, depois de terem devorado um dos Reis Magos, partem para banquetear-se do Menino Jesus. Maria Já devorou um pezinho e abre a barriga do bebê, enquanto José belisca seu cérebro.

Lembro como se fosse hoje de ter visto esta notícia no Omelete em 2010. Lembro de ter visto as pessoas comentando a falta de respeito do artista. E era unânime. Até os ateus achavam de mau gosto. Na época, não vi ninguém dizendo que a polêmica era “coisa da geração leite com pera”, que era só “mimimi”. Não vi ninguém argumentando que “ué, mas zumbis são assim mesmo”, “zumbis não fazem distinção entre as pessoas, se é o Messias ou não”, ou “Não gostou? Não compre”.

Você iria reclamar se o artista pedisse à editora para não publicar a capa por estar preocupado com o público cristão? Percebe que quando as coisas nos afetam, defendemos nossas convicções com unhas e dentes? Não é engraçado que quando as coisas afetam os outros e não a nós mesmos, tendemos a dizer que é “mimimi”? Percebe por quê eu estou em desacordo com todos os marmanjos de 20 a 30 anos que afirmam que “não viram nada demais” na capa da Batgirl e que a culpa é da patrulha do politicamente correto?

MAS E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO?

Liberdade de expressão, ao contrário do que prega o senso comum, não é poder sair falando o que quiser deboas. É expressar suas convicções e entender que, caso você fira os direitos individuais de outras pessoas, deve responder proporcionalmente pelo dano causado. Isso é Constitucional!

Estamos discutindo aqui a negação dos direitos mais básicos de qualquer ser humano, o direito à vida e à dignidade. Esse é o ponto que as pessoas mais se esquecem de levar em consideração quando se trata de Liberdade de Expressão.

“Mas se fosse o Batman ou o Superman na capa ninguém reclamava!”

Pois é. Isso é o mesmo que dizer que você sofre de racismo inverso, que sofre preconceito por ser branco.
Esqueça sua vivência como homem branco heterossexual um pouco. Se você se enquadra nessa descrição provavelmente nunca sentiu falta do direito à dignidade porque sempre o teve. Existem pessoas que não têm os mesmos privilégios que você pela cor com que nasceram, pelo fato de serem mulher, ou por serem gay.
Parece absurdo eu ter que falar tudo isso considerando o acesso à informação que temos hoje em dia. Mas o que acontece é que ainda são poucas as pessoas que se preocupam em abrir os olhos e perceber que há uma infinidade de realidades diferentes da sua própria (lembra a tirinha de segunda sobre pensamento binário?).

E não estou falando aqui de só de crimes que resultam em morte (negar à pessoa o direito fundamental à vida), então não adianta muito se sentir um bom samaritano por não espancar quem você acha diferente.
Mas imagine se tirarem seu direito de se casar. Imagine se disserem que você não pode ter família, porque seu conceito de família é errado. Imagine o gerente do seu banco te olhando torto quando você vai aplicar seu dinheiro. Imagine alguém abusando da sua intimidade e depois dizendo que a culpa é sua, que você “estava pedindo”, que está “louco”,  que é “histérico” e que “é só brincadeira, não tem senso de humor?”. Imagine ver as pessoas sempre atravessando pra outra calçada quando você passa por elas. Imagine você não ter o direito de incluir seu parceiro como beneficiário no seu plano de saúde. Imagine seu filho sendo espancado no colégio porque acham ele “diferente”. Imagine alguém dizendo que tudo isso é “mimimi”.
Você viveu isso? Não? Que bom pra você, mas muita gente já. Custa tanto assim pra você deixar que as pessoas busquem os direitos que você já tem?

Grandes responsabilidades:

Veja a declaração do Rafa Albuquerque depois da repercussão da retirada da capa:

“É preciso aprender a ouvir, ter empatia por quem tem uma opinião diferente da sua. Se colocar no lugar do outro e considerar. Discussões na internet tendem a virar birras infantis, de um lado ou de outro”.
E continua:
“Não acho que uma revista que tenha a intenção de elevar a autoestima feminina deva ter uma imagem que pode sugerir o contrário”
Via Uol Entretenimento

O público feminino nos quadrinhos vem crescendo exponencialmente. Parece justo desconsiderar a expectativa que essas leitoras têm com sua representação nesse tipo de mídia? Não, né? Por incrível que possa parecer, nem tudo gira em torno de você. Goste você ou não, a participação da mulher na sociedade não é a mesma de 10 anos atrás. No século passado, a ideia de que uma mulher votasse era completamente absurda. No Brasil, adultério era considerado crime previsto no Código Penal, com pena prevista de 15 dias até seis meses de reclusão. A lei foi revogada (pasme) em 2005. Em uma sociedade que premia o garanhão comedor e marginaliza a piranha galinha, adivinha pra quem sobrava na história? A sociedade evolui. Deal with it.

Acusaram o Rafa Albuquerque de ter se acovardado diante da “patrulha do politicamente correto”. Eu acho que foi preciso muita coragem pra tomar essa decisão. Não é nem um pouco fácil admitir que você esteja errado. Não é fácil ouvir críticas, ponderar sobre elas, e depois “descartar” o esforço do seu trabalho. O artista, por fim, decidiu que não publicar a capa causaria um benefício muito maior do que deixá-la. Viu que evitar expor seu público a uma situação passível de causar desconforto era menos danoso do que deixar uns nerds #xatiados.
Algo que o Danilo Gentili provavelmente não faria.

-Feliz

Bom, tá aí. Gostaria de agradecer a ajuda das minhas amigas Mari, Laís e Carol, e à minha irmã, Vívian. Pessoas muito importantes na minha vida que contribuíram com sua opinião sobre o assunto e me ajudaram a escrever o post.

O espaço para os comentários é livre. Podem falar o que quiser, usei o post de hoje para expor minha opinião sobre um assunto que foi bastante comentado no universo geek essa semana. Ninguém precisa concordar comigo, meu objetivo aqui foi mostrar o por quê de eu ter decidido apoiar a decisão do Rafa Albuquerque de pedir a retirada da capa para a DC.
Mas eu realmente gostaria de ouvir o que vocês têm a dizer.

batima

Boa sexta-feira e até domingo, leitores!