Friday, Bloody Friday #048

friday_048

E para ver as dicas de leitura anteriores, clique aqui:
Friday #011
Friday #018
Friday #027

friday_048_1

Autores: Brian Michael Bendis; vários desenhistas
Publicado no Brasil mensalmente na revista Ultimate Marvel (Panini)

Pra quem não conhece muito as ramificações do universo Marvel nos quadrinhos, basicamente a editora possui duas continuidades principais definidas: O Universo Marvel regular (conhecido como Terra-616, conceito proposto pelo barbudão Alan Moore), que contempla os principais títulos, como Vingadores, Homem de Ferro, Thor, Capitão América, O Espetacular Homem-Aranha, X-Men e seu derivados, etc, etc; e o Universo Ultimate (conhecido também como Ultiverso), criado no ano 2000, onde os heróis e as histórias foram reinventadas para o novo milênio. Tramas mais maduras e mais realistas (na medida do possível) eram características do Ultiverso, que veio na onda de Matrix e dos primeiros filmes dos X-Men. Já o 616 permanecia seguindo o rumo mais fantástico.

O escolhido para trabalhar com o Homem-Aranha nesse novo universo foi o cabeça-de-bilhar Brian Michael Bendis, que na época começava a se destacar com alguns trabalhos autorais, seguindo uma linha noir. Sua parceria com o desenhista Mark Bagley chegou a superar os números de Stan Lee + Jack Kirby no Quarteto Fantástico. E a reinvenção do teioso, por um bom tempo, rendeu ótimas histórias!

Ultimate-Comics-Spider-Man-16-1

Porque não presta?
Estava indo tudo bem… Até que viram que ele era realmente bom e, claro, sobrecarregaram o coitado. Colocaram-no pra ser um dos grandes arquitetos não só do Ultiverso mas também do 616. Bendis já estava planejando o direcionamento da Marvel nos quadrinhos junto com os peixes grandes da editora. Escrevia uma infinidade de títulos fixos, sagas e megassagas. Era de se esperar que a fonte ia secar.

Confesso, já fui p*tinha do Bendis. O cara escreveu o melhor arco moderno do Demolidor, escreveu a excelente obra heroico-investigativa Alias, tornou o Homem-Aranha jovial e divertido de novo. Só que uma só pessoa não dá conta de puxar uma carga desse tamanho! Praticamente todos os títulos dele para a Marvel viraram algo pasteurizado, sem carga emocional e cheia de porradaria genérica.

E o ápice do cansaço do careca veio com a reinvenção do Homem-Aranha. Após alguns remendos no Ultiverso depois do rombo deixado pelo escritor Jeph Loeb, o Homem-Aranha não era mais Peter Parker. O pré-adolescente Miles Morales vestiu o uniforme do aracnídeo para começar novas aventuras. Quem esperava arcos revigorantes e mais livres, e quem sentia falta de conhecer uma nova jornada de descobertas, se decepcionou bonito! Diálogos fracos, antagonistas meia-boca e coadjuvantes pouco carismáticos não me trouxeram nem um pouco da empolgação que eu sentia quando comprava uma revista da linha Ultimate.

friday_048_3

Autor: Sean Murphy (roteiro e desenhos)
Publicado no Brasil pela revista Vertigo (Panini)

Não é qualquer um que tem panca para ser um grande desenhista E um grande roteirista. Sean Murphy com certeza não tem.

Acompanhei com afinco “Joe, o Bárbaro” na Vertigo. A história era resultado de uma feliz parceria entre o lendário roteirista Grant Morrison e o épico mago dos desenhos Sean Murphy. Encantador. Por isso, qual não foi minha empolgação a ver na Vertigo #40 mais um trabalho de Murphy: Punk Rock Jesus. Dei uma lida no resumo no verso da capa. Tudo que era tema que eu gostava estava ali: um futuro distópico à la 1984 controlado por corporações midiáticas, punk rock, guerrilhas, temática controversa… Dei uma folheada e vi que os desenhos eram em preto e branco, pra dar uma cara de fanzine. E a arte estava bonita pra caramba. P#$$@! O que faltava? Tava na cara que ia ser bom! Uma boa introdução, um bom primeiro capítulo…

…Até que a coisa degringolou de uma forma que até agora eu não acredito.

go-fuck-yourself-jesus-hates-you

Porque não presta?
Como todos sabem, bons efeitos visuais não fazem um bom filme e bons gráficos não fazem um bom jogo. É a mesma coisa nos quadrinhos.

A premissa é a seguinte: no futuro, os reality shows conseguiram ser ainda mais chatos e a única solução foi apelar. Um magnata da mídia, então, supostamente clonou o Messias utilizando fragmentos de DNA encontrados no Santo Sudário e, assim que a criança nasceu, criou uma espécie de Show de Truman. O pequeno Cris então tem que crescer com toda as expectativas de ser a salvação da humanidade em um mundo limitado e manipulado pela produtora de TV, contando apenas com a proteção de Thomas McKael, um ex-combatente do IRA que jurou defender o suposto messias para expiar seus pecados. Um argumento bem bacana.

Até o segundo capítulo, a história flui bem. Mas depois, a trama toma uns atalhos ridiculamente grotescos! A impressão que eu tive foi que Murphy não soube trabalhar muito bem o número de capítulos que ele tinha para preencher. Por exemplo: Onde já se viu uma banda recrutar vocalistas (e inclusive tomar a decisão final) no meio de uma apresentação, ali mesmo no palco? Todo capítulo também tem suas pontas soltas que vão se acumulando, até que se resolvem tudo de forma tumultuada. Qual é a daquele “anjo” que salvou a vida da mãe de Cris? A estrela do maior reality show da história foge e os produtores simplesmente deixam por isso mesmo? Aliás, Cris ainda faz parte do programa ou não? Como uma banda tão controversa teria conquistado o apoio mundial em tão pouquíssimo tempo? Nem o Bad Religion chegou tão longe. Tá certo que eles não têm um suposto clone de Jesus, mas mesmo assim…

Punk Rock Jesus podia ser uma ótima HQ se estivesse, talvez, nas mãos de um bom roteirista, mas parece mais confuso do que o Livro do Apocalipse.

friday_048_2

Autores: Roteiros de Garon Tsuchiya e desenhos de Nobuaki Minegishi.
Publicado no Brasil pela Editora Nova Sampa

A máxima “a obra original sempre é melhor que o filme” não é necessariamente verdadeira. O primeiro caso que conheci foi Jogos Vorazes, em que o filme é superior ao livro e mais aprofundado.

O segundo foi Old Boy.

O filme sul-coreano dirigido por Park Chan-wook é um clássico, vencedor do festival de Cannes, muito elogiado por Quentin Tarantino. Uma história de grande carga emocional, violência crua, uma jornada de auto descoberta da própria identidade… Lógico que o mangá de que foi adaptado, por ter mais espaço para aprofundar essas questões, seria bem melhor, certo?

NÃO!! MAS DE JEITO NENHUM MEEEEEESMO!!!
A HQ começou a ser publicada aqui no Brasil recentemente. Comprei o primeiro número, e como ando com pouco tempo, deixei na fila de espera. Só consegui ler o primeiro volume quando já tinha saído o nº 3. E cara… que tristeza.

oboyv4p2

Porque não presta?
Principalmente por causa do  ritmo irritante da história. Tá, o filme é bem frenético porque eles têm pouco mais do que duas horas pra condensar toda a história de um mangá que foi publicado semanalmente de 1996 a 1998. Mas qual é a explicação pra uma narrativa tão… Tão… argh, nem sei como explicar!

Na história, acompanhamos a busca por vingança de um homem que, aos 25 anos de idade foi aprisionado em um apartamento durante 10 anos, sem saber por quê, por quem, sequer onde estava.
O problema é: a narrativa parece se interessar mais em mostrar close ups e pin ups do protagonista em splash pages do que realmente narrar os acontecimentos de forma coerente. Tá, eu sei, isso é cultural, é a escola japonesa de quadrinhos, é bem diferente da americana e da europeia, blá blá blá.
Mas a impressão que eu tenho é que, mesmo para os mangás, esses recursos são usados de forma exagerada. Você não passa duas páginas sem um foco no corpo musculoso do protagonista sem nome, fumando um cigarro contra a luz do sol (parece que os quadrinhos orientais também sofreram com o mal dos Anos 90). Algumas frases soltas aqui e ali, uns diálogos monossilábicos e tá aí o roteiro.

Sem falar que, aparentemente, no Japão, as garotas convidam você para morar com elas apenas por colocarem curativos em um corte no seu corpo, sem saber seu nome, se você é um assassino ou não, e sem ao menos ouvir sua voz.

Mesmo assim, ainda acho que o mangá vai conseguir ser melhor do que o remake hollywoodiano que vai sair esse ano.

E então, caro leitor? Concorda com as “desrecomendações”? Discorda e acha que eu sou um idiota e tenho mais é que me f****? Tem algum livro, filme, desenho animado ou HQ que você acha que nunca deveria ter existido?
Rasgue o verbo aí nos comentários, já que hoje é dia de falar mal!
Até semana que vem!
-Feliz

Anúncios

18 respostas em “Friday, Bloody Friday #048

  1. Vou passar longe desse quadrinhos cara, mas vou assistir esse filme, Old Boy.
    Valeu pelas recomendações e desrecomendações! hehehe!

    Mas Feliz, deve ter muito mais porcaria que você já leu, hein! Faça desse quadro uma série regular e livrai-nos de todo esse mal.

  2. Pois é Feliz, também fui seco nesse Ultimate Homem Aranha e não curti, acho que cheguei de pegar alguns volumes, mas sempre que eu ia ler achava a narrativa chata e cansativa, acredito que não seja por causa “deu” não ter acompanhado os volumes anteriores e sim porque eu achei a narrativa chata mesmo.

    • Na verdade, por um bom tempo, o ultiverso chegou a ser melhor do que o regular. Os primeiros arcos do Aranha, dos X-Men eram incríveis e Os Supremos era o que tinha de melhor na Marvel toda. Aí aconteceu de Jeph Loeb botar suas mãos gordurosas nessa linha e até hoje não se recuperou direito. Ultimamente, os arcos dos Supremos são o que salvam a revista Ultimate Marvel por aqui.

      • Entendo… Você poderia recomendar histórias do ultiverso em algum dos próximos Fridays? Curto muito histórias alternativas.

  3. Feliz o que você achou da Marvel 1602? Eu fui na maior empolgação pra ler, ainda mais sabendo da participação de Neil Gaiman na história, e ñ achei tudo isso! Aliás achei bem fraco.
    PS: Gostei da parte que você falou que Punck Rock Jesus parece mais confuso que o livro do Apocalipse.

  4. Olá feliz, já que esse post nos dá a liberdade de criticar uma obra aqui vai: eu jamais deveria ter perdido o meu tempo assistindo Sword Art Online. Vários dos meus amigos me recomendaram esse anime, e no final das contas resolvi dar uma olhada. Realmente os primeiros 6 episódios são bem interessantes e a maneira como Reki Kawahara introduziu mecânicas de um MMORPG em seu universo sem tornar a coisa toda esquisita foi bem legal mesmo, sem contar que achei a animação fabulosa. Mas as maravilhas acabam por aí, a partir de um certo ponto a história adota um romantismo e um drama que chega a dar “cagarréias”, colocando todas as referências de MMORPGs e batalhas em segundo plano, as cenas de lutas (salva uma ou duas) são horrorosas, cheias de efeitos especiais mas com muito pouco movimento e repetições de quadros. Mas é isso aí, não tive saco pra assistir a segunda temporada nem acompanhar o mangá e nem o livro, talvez estes sejam melhores. Minha conclusão final é: o anime deveria ser classificado com “Shojo” ao invés de “Shonem”, ou seja, se você for uma libélula é o seu anime, mas se for um gafanhoto voe para longe rapaz…

  5. mano lembro da versão futurista do mangá lobo solitário que foi publicada pela dark horse comics há um tempo atrás foi uma tristeza de tão ruim

  6. Rapaz, também desanimei com o universo ultimate depois de umas escorregadas que a Marvel deu. Sobre o livro do Apocalipse, qualquer dia desses eu te explico a simbologia thelêmica e cabalística que jaz por detrás do véu de Isis (sério, é revelador).

  7. Putz, feliz, na parte do PUNK ROCK JESUS pela história deu uma vontade de ler, mas pelo que vc disse aí viu, sei lá.. Quem sabe eu leia e tire minhas próprias conclusões.

    Aliás, valeu por ter indicado o OLD BOY, vou assistir agora. É nois =)

  8. Concordo com as críticas do Feliz, mas gostei de “Old Boy”, não é a melhor nem a pior HQ que li. Agora sobre adaptações de livros, eu fiquei decepcionado com o filme “Bússola de Ouro”, o filme não é completamente ruim, mas o livro na sua reta final, é bastante tenso, e contém questionamentos sobre alguns elementos importantes da história. Já no filme, foi cortada essa parte, e pior ainda, foi forçado um final feliz, ao contrario do livro.

  9. Pingback: Friday, bloody Friday #090 | Café do Feliz

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s