Friday, bloody Friday #118

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Pegue seus fones de ouvido, leitor, porque hoje o post é musical!
No Friday #116 fizemos uma escalação de atores para interpretar os personagens do Felizverso.
Hoje, vamos escolher trilhas sonoras para as sessões, para os personagens e para alguns momentos específicos das histórias contadas aqui nas tiras. Vamos lá?

hss soundtrack

HIGH SCHOOL SUX

HSS é uma tira “teen”. Então eu associo o clima das histórias com o que era popular nos meus anos de adolescente (nem foi há tanto tempo, viu?).
Tipo Blink-182, Green Day, Papa Roach, Linkin Park, Sum 41… Majoritariamente bandas pop-punk e pop rock. Intercalando com momentos de rock alternativo, como REM, Weezer, Dinosaur Jr, Smashing Pumpkins, Three Doors Down, etc…

Para os personagens principais, selecionei algumas músicas tema:
Diego: Rise Against – Kotov Syndrome
Dani: Joan Jett – Bad Reputation
Yuri: Autopilot Off – Underrated
Paulinho: NOFX – All Outta Angst
Papai: Fever Ray – If I Had a Heart (só porque essa música me dá medo)

Em alguns momentos da série até citei músicas específicas. Em alguns outros imagino uma música de fundo tocando. Veja:
body movin - beastie boys platypus - green day
Ainda no começo da série, na festa na casa do Cassiano, nessa cena imaginei Diego e Dani curtindo Body Movin’, do Fatboy Sim, remixado pelos Beastie Boys.
Logo depois, na cena da briga entre Diego e Cassiano, tocaria Green Day – Platyus (I Hate You). Gosto de como a música já começa dando vontade de partir pra uma briga.

sweet disposition - depeche modeE essa cena tem uma cara de Sweet Disposition!

maggies farm - ratm i fought the law - clash

O arco “Guerra Civil” teve seus momentos musicais, com a primeira aparição oficial do Suicídio Social. A banda interpretou Maggie’s Farm, música do Bob Dylan na versão do Rage Against the Machine, It’s a Long Way to the Promised Land do Bad Religion, entre outras.
Diego sobe ao palco para cantar I Fought the Law do Clash e She do Green Day.

Mas provavelmente o arco mais “sonorizável” é o Dias de um Colegial Esquecido.
Veja só:
hss_173Pra essa tira, imagino Killing Moon, da banda Echo & the Bunnymen. Essa música toca no filme Donnie Darko, na cena em que apresenta o ambiente escolar do protagonista. Acho que casa bem com a tira.

got nuffin - spoonhss_174
Nos momentos de tensão entre Dani e Diego (que haviam terminado o namoro), ouço Got Nuffin’, do Spoon. O motivo é a última cena da sétima temporada de House. Essa música parece animada, mas carrega um tom melancólico que dá o tom de desamparo dos personagens.
NIN

Para os momentos de tédio no estágio de Diego, tocaria Everyday is Exactly the Same, do Nine Inch Nails.

friday im in love - the cure wicked game
Dani começa a ouvir aquelas músicas de quando bate a “bad”, como Friday I’m in Love, do Cure e Wicked Game , de Chris Isaak. Tem coisa mais irritante?
hss_198Entre as músicas interpretadas pelo Suicídio Social neste arco estão Perfect Strangers do Deep Purple, Bombtrack do Rage Against the Machine e Drive By, do Body Count. Esta última corresponde à cena em que Cassiano é pisoteado pelo mosh.
drive by - body countE o arco finaliza com a seguinte cena, que homenageia o Clube dos Cinco:

simple mindsPortanto, a escolha da música é mais do que óbvia!!

No arco atual, em poucos momentos parei para pensar numa soundtrack adequada, porém a tira em que Paulinho pira com o papel mimeografado me lembra Tomorrow Never Knows dos Beatles.
hss_221Porque será?

pts soundtrack

PUNK THE SYSTEM

Como temos três protagonistas de cada tribo, naturalmente teríamos músicas da banda que uniu todas as tribos: o NORVANA.
Além disso, os momentos dos personagens principais corresponderiam com músicas que representam suas preferências. Teríamos punk rock sujo, podre e lixo como GBH, Casualties, the Exploited, Dead Kennedys e TSOL. Metal e suas infinitas vertentes como Iron Maiden, Pantera, Metallica, Slayer e Sepultura. E grunge/alternativo anos 90 como Stone Temple Pilots, Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e Mudhoney.

Para os protagonistas, as seguintes músicas tema:
Punk: GBH – Sick Boy
Headbanger: Sepultura – Refuse/Resist
Tom: Pearl Jam – Jeremy

Alguns momentos das sagas também seriam marcados com músicas específicas.

kill the poor - dk

Imagine uma viagem inteira ouvindo Dead Kennedys. No momento, Kill the Poor toca no toca-fitas.
you're cut off - municipal wasteNesta briga com a infame banda “Os Desalmados” tocaria You’re Cut Off do Municipal Waste. Veja o clipe para entender por quê.

punks not dead - the exploitedO retorno triunfal do Punk depois de algumas horas de Emo seria marcado por Punk’s not Dead do Exploited.
O arco finaliza mais light, com I Can Remember do Pennywise.i can remember

Os momentos do atual arco são pautados por algumas músicas como Infeliz Natal dos Raimundos e Cop Killer do Body Count.

infeliz natal - raimundos cop killer - body count

E os momentos Into the Wild do Tom, obviamente teriam trilha sonora composta pelo Eddie Vedder.

society - eddie vedder

Como esta bela música chamada Society.

infeliz e feliz

FELIZ x INFELIZ

Nas sessões Giblog e O Infeliz nunca pensei em trilhas sonoras, pois são tiras mais isoladas, sem continuidade específica. Porém, para os personagens imagino as seguintes músicas tema:

Feliz: Beck – Loser (o tom auto depreciativo desta música é deliciosamente sarcástico)
Infeliz: Tool – Schism (o personagem pede algo bem caótico)

E por hoje é só, leitores! Aproveitem os sons do final de semana. São muito adultos!
Até domingo!

-Feliz

Friday, bloody Friday #117

Antes de começar, acho pertinente dizer algumas coisas.

1- O post de hoje é propositalmente longo, porque pretendo abordar vários aspectos do assunto. Por isso, se for deixar comentário, leia até o final. Não faz sentido comentar se for para cair em contradição com a proposta do texto.

2- O assunto é complicado e não deve ser observado levianamente. Então, seria de bom tom evitar comentários baseados em clichês. Intolerância também não será permitida.

3- Provavelmente muita gente não vai gostar do que vai ler aqui. Já estou escrevendo isso preparado para perder leitores e até alguns amigos que porventura vierem pra cá. Sem brincadeira. Mas procure, pelo menos, pensar sobre o assunto. Só é possível evoluir como pessoa confrontando diretamente com coisas que desafiam nossas crenças preestabelecidas.

Killing-Joke

Rafael Albuquerque é um desenhista brasileiro que já realizou vários trabalhos independentes reconhecidos internacionalmente e em parceria com as maiores editoras de quadrinhos do mundo.

Particularmente, gosto bastante do seu trabalho em Vampiro Americano. Porém, meu trabalho favorito do artista é em conjunto com Mateus Santolouco e Eduardo Medeiros na HQ roqueira Mondo Urbano. As representações do mundo musical neste álbum me inspiram até hoje na criação de Punk the System.

Recentemente a DC Comics anunciou algumas capas alternativas para seus quadrinhos que serão publicados em junho, em comemoração aos 75 anos do Coringa. As variantes trarão o palhaço do crime junto com os heróis do título. A discussão começou quando a editora mostrou o preview da Batgirl #41, desenhado por Albuquerque.

coringa-capas-batgirl-41

A ideia da capa é homenagear o clássico “A Piada Mortal”, com roteiros de Alan Moore e desenhos de Brian Bolland. A HQ é uma das mais conhecidas do Batman e traz a origem do Coringa, além de mostrar um momento marcante na carreira de Barbara Gordon (Batgirl), que é aleijada com um tiro na bacia e violentada. A imagem divulgada causou comoção entre o público feminino, visto que sugere casos de violência contra a mulher, além do tom não condizer com o público da HQ da Batgirl, majoritariamente feminino e juvenil. Rafael Albuquerque, então, pediu à DC que a capa não fosse publicada. Segue a declaração do artista:

“Para mim, foi uma capa assustadora que trazia algo do passado da personagem, e eu fui capaz de interpretar isso artisticamente. Mas ficou claro que, para outros, isso tocou em um nervo importante. Eu respeito essas opiniões e, sem entrar no mérito de quem está certo ou errado, acredito que nenhuma opinião deva ser desacreditada. Minha intenção nunca foi ferir ou desapontar ninguém com meu desenho. Por essa razão, recomendei que a DC não publicasse a capa. Fico incrivelmente grato que a DC Comics tenha ouvido minha preocupação e decidido não publicar o desenho de capa em junho como anunciado anteriormente”.
Via Omelete

A reação dos nerds com a divulgação do cancelamento foi padronizada:
“QUANTO MIMIMI”
“GERAÇÃO LEITE COM PERA!”
“GERAÇÃO DEDO NO CU!”
“PATRULHA DO POLITICAMENTE CORRETO!”
“MALDITA GERAÇÃO MIMIMI!”

E é isso que vamos discutir no post de hoje.

MIMIMI?

A internet virou um ambiente insuportável desde que as pessoas aprenderam a usar o termo “mimimi” em discussões. Sério, a cada vez que vejo alguém dizer que isso ou aquilo é “mimimi”, um pouco da minha fé nas humanidade morre. Esse é o Argumentum ad hominem da moda. Quer dizer, a pessoa responde atacando diretamente a outra, nesse caso ridicularizando-a. O ad hominem não tem valor argumentativo, por ser uma falácia.
fudencio
É uma falácia pois atribui valor negativo à outra proposição sem observar seu conteúdo. Além de não ter valor argumentativo, é praticamente o equivalente a dizer “é a vovozinha”, o que é completamente infantil. Porém, a pessoa que adora chamar tudo de mimimi costuma se achar A VENCEDORA DO DEBATE. Claro, campeão, vai lá debater na ONU.

PATRULHA DO POLITICAMENTE CORRETO

pol surpresaComo produtor de conteúdo, costumo pesar bastante sobre o que vou escrever e desenhar. Afinal, o que é publicado na internet está aí pra qualquer um ver, e ninguém além de mim é responsável pelo que escrevo no Twitter, no Facebook e pelo que posto no Café do Feliz. Mas, invariavelmente, acabo chegando num ponto que me faz pensar “será que devo postar isso?”.
Quando me deparo com esses dilemas, uso a Regra de Gentili. Pergunto a mim mesmo: “O Danilo Gentili postaria isso?”. Se a resposta for sim, não posto e abandono a ideia.

Gentili é um dos humoristas da nova geração que carrega o estandarte do “politicamente incorreto”.  Porém, aparentemente, sua definição do termo é “posso dizer o caralho que eu quiser pro mundo inteiro, sem consequência nenhuma, e quem não gostar é que está errado”.

Mas há muita coisa por trás de uma piada, por trás de um meme, por trás de uma capa de HQ. Primeiro, pelo que vi, quase todo mundo que se irritou com a retirada da capa não levou em conta que a HQ da Batgirl é voltada ao público feminino infanto-juvenil. Muitos sequer sabiam disso! Como alguém vai fazer um julgamento desses sem levar isso em conta? É pra isso que existe classificação etária no cinema, na TV e outras mídias. É por isso que você provavelmente iria pensar duas vezes antes de deixar seus pimpolhos assistirem Game of Thrones.

Segundo, em minha observação dos comentários padrão, percebi que a maioria esmagadora são homens em seus 20 ~ 30 anos (tinha uma ou outra mulher que reclamou também, mas eram 4 ou 5 entre literalmente CENTENAS de caras). Esse nerd normalmente tem mais conhecimento sobre quadrinhos e já leu A Piada Mortal (que aborda um tema mais adulto). Uma vivência completamente diferente da garota de 10 anos que lê Batgirl por seu tom divertido e descontraído. Algum desses nerds chegou a considerar isso? Duvido.

NEM TUDO É SOBRE VOCÊ

Proponho que façamos um exercício, aqui. Tente colocar de lado por uns instantes sua vivência e experiências pessoais. Tente colocar de lado as convicções que você carrega diariamente. Ao invés disso, vamos tentar nos colocar no lugar de outra pessoa em uma determinada situação. É bem difícil, sim, mas isso se chama empatia.

Imagine que você é uma pessoa negra e vê em uma livraria a HQ “Tintin no Congo”. Você lê a história e percebe que os personagens da sua etnia são desenhados quase como se fossem macacos e têm comportamento selvagem, beirando o irracional. Enquanto isso, outros personagens (brancos) falam como pessoas, agem como pessoas e (veja só!) são desenhados como pessoas! Como você se sentiria?

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O álbum “Tintin no Congo” foi lançado em 1931. Não muito tempo depois do comércio de negros como escravos e naquela época racismo não era crime. Era comum e até socialmente aceitável considerar pessoas negras inferiores e pessoas brancas superiores. Parece absurdo, não? Pois é. Mas provavelmente você, branco, seria uma das pessoas que diriam “essa geração leite com pera é foda!”.

O que eu vejo nesse momento da História é uma situação semelhante. Mais uma vez, convido a todos para um exercício de empatia. Você é uma mulher. Você não pode escolher suas próprias roupas pra sair de casa sem se preocupar se vão te chamar de “vagabunda”. Você constantemente é alvo de passadas de mão e esfregadas nos ônibus, nos metrôs, na rua, em bares. Você é avaliada negativamente pelo seu comportamento sexual. Se você fez e faz sexo com vários parceiros, você é puta. Se não faz, é frígida. Se você dá moral, é “fácil”. Se não dá, provavelmente é lésbica. A publicidade trata você como objeto de consumo. Os homens, nesse contexto, assim doutrinados desde pequenos, são levados a acreditar que você, mulher, é dele por direito. Ele viu nos desenhos animados um homem das cavernas arrastando sua mulher, sua caça, pelos cabelos. Ele sente que tem poder sobre você. E você está ciente que ele sabe disso. Portanto, você sente medo ao passar perto de um bando de homens na rua. Se for à noite, pior ainda. Afinal, o medo é a reação instintiva que serve para sua proteção e sobrevivência. Nesse contexto, como você se sentiria ao ver a capa?

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Compare as duas situações, e perceba o seguinte, antes de dizer “ah, então não pode mais ter violência nos quadrinhos?”: Não estamos discutindo aqui “violência nos quadrinhos”.
Não estamos falando sobre o que acontece na história, até porque o público alvo do gibi da Batgirl provavelmente nunca leu A Piada Mortal. Estamos falando sobre entender o contexto em que outra pessoa enxerga a mesma situação que você e as formas como isso as  afeta. “Mas o Coringa é vilão, queria que ele desse flores?”. Mais uma vez, não estamos discutindo aqui o caráter do vilão, estamos analisando uma imagem específica (que tem diversos elementos semióticos chave contidos nela) dentro de um contexto específico.

Ainda insiste na história do “mimimi”? Ok, vamos mais uma vez falar sobre empatia, com um exemplo que talvez seja mais fácil. Você é cristão? Se não é, provavelmente deve ter crescido em um lar cristão. Ainda se não for o caso, coloque-se no lugar de uma pessoa que vai todo domingo à igreja e vê imagens da trajetória de seu salvador nos vitrais. Agora, dê uma olhada na capa de natal desta HQ da editora Atlas, em homenagem ao clássico “A Noite dos Mortos Vivos” de George A. Romero.

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A capa mostra a Sagrada Família num frenesi canibal. José e Maria, depois de terem devorado um dos Reis Magos, partem para banquetear-se do Menino Jesus. Maria Já devorou um pezinho e abre a barriga do bebê, enquanto José belisca seu cérebro.

Lembro como se fosse hoje de ter visto esta notícia no Omelete em 2010. Lembro de ter visto as pessoas comentando a falta de respeito do artista. E era unânime. Até os ateus achavam de mau gosto. Na época, não vi ninguém dizendo que a polêmica era “coisa da geração leite com pera”, que era só “mimimi”. Não vi ninguém argumentando que “ué, mas zumbis são assim mesmo”, “zumbis não fazem distinção entre as pessoas, se é o Messias ou não”, ou “Não gostou? Não compre”.

Você iria reclamar se o artista pedisse à editora para não publicar a capa por estar preocupado com o público cristão? Percebe que quando as coisas nos afetam, defendemos nossas convicções com unhas e dentes? Não é engraçado que quando as coisas afetam os outros e não a nós mesmos, tendemos a dizer que é “mimimi”? Percebe por quê eu estou em desacordo com todos os marmanjos de 20 a 30 anos que afirmam que “não viram nada demais” na capa da Batgirl e que a culpa é da patrulha do politicamente correto?

MAS E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO?

Liberdade de expressão, ao contrário do que prega o senso comum, não é poder sair falando o que quiser deboas. É expressar suas convicções e entender que, caso você fira os direitos individuais de outras pessoas, deve responder proporcionalmente pelo dano causado. Isso é Constitucional!

Estamos discutindo aqui a negação dos direitos mais básicos de qualquer ser humano, o direito à vida e à dignidade. Esse é o ponto que as pessoas mais se esquecem de levar em consideração quando se trata de Liberdade de Expressão.

“Mas se fosse o Batman ou o Superman na capa ninguém reclamava!”

Pois é. Isso é o mesmo que dizer que você sofre de racismo inverso, que sofre preconceito por ser branco.
Esqueça sua vivência como homem branco heterossexual um pouco. Se você se enquadra nessa descrição provavelmente nunca sentiu falta do direito à dignidade porque sempre o teve. Existem pessoas que não têm os mesmos privilégios que você pela cor com que nasceram, pelo fato de serem mulher, ou por serem gay.
Parece absurdo eu ter que falar tudo isso considerando o acesso à informação que temos hoje em dia. Mas o que acontece é que ainda são poucas as pessoas que se preocupam em abrir os olhos e perceber que há uma infinidade de realidades diferentes da sua própria (lembra a tirinha de segunda sobre pensamento binário?).

E não estou falando aqui de só de crimes que resultam em morte (negar à pessoa o direito fundamental à vida), então não adianta muito se sentir um bom samaritano por não espancar quem você acha diferente.
Mas imagine se tirarem seu direito de se casar. Imagine se disserem que você não pode ter família, porque seu conceito de família é errado. Imagine o gerente do seu banco te olhando torto quando você vai aplicar seu dinheiro. Imagine alguém abusando da sua intimidade e depois dizendo que a culpa é sua, que você “estava pedindo”, que está “louco”,  que é “histérico” e que “é só brincadeira, não tem senso de humor?”. Imagine ver as pessoas sempre atravessando pra outra calçada quando você passa por elas. Imagine você não ter o direito de incluir seu parceiro como beneficiário no seu plano de saúde. Imagine seu filho sendo espancado no colégio porque acham ele “diferente”. Imagine alguém dizendo que tudo isso é “mimimi”.
Você viveu isso? Não? Que bom pra você, mas muita gente já. Custa tanto assim pra você deixar que as pessoas busquem os direitos que você já tem?

Grandes responsabilidades:

Veja a declaração do Rafa Albuquerque depois da repercussão da retirada da capa:

“É preciso aprender a ouvir, ter empatia por quem tem uma opinião diferente da sua. Se colocar no lugar do outro e considerar. Discussões na internet tendem a virar birras infantis, de um lado ou de outro”.
E continua:
“Não acho que uma revista que tenha a intenção de elevar a autoestima feminina deva ter uma imagem que pode sugerir o contrário”
Via Uol Entretenimento

O público feminino nos quadrinhos vem crescendo exponencialmente. Parece justo desconsiderar a expectativa que essas leitoras têm com sua representação nesse tipo de mídia? Não, né? Por incrível que possa parecer, nem tudo gira em torno de você. Goste você ou não, a participação da mulher na sociedade não é a mesma de 10 anos atrás. No século passado, a ideia de que uma mulher votasse era completamente absurda. No Brasil, adultério era considerado crime previsto no Código Penal, com pena prevista de 15 dias até seis meses de reclusão. A lei foi revogada (pasme) em 2005. Em uma sociedade que premia o garanhão comedor e marginaliza a piranha galinha, adivinha pra quem sobrava na história? A sociedade evolui. Deal with it.

Acusaram o Rafa Albuquerque de ter se acovardado diante da “patrulha do politicamente correto”. Eu acho que foi preciso muita coragem pra tomar essa decisão. Não é nem um pouco fácil admitir que você esteja errado. Não é fácil ouvir críticas, ponderar sobre elas, e depois “descartar” o esforço do seu trabalho. O artista, por fim, decidiu que não publicar a capa causaria um benefício muito maior do que deixá-la. Viu que evitar expor seu público a uma situação passível de causar desconforto era menos danoso do que deixar uns nerds #xatiados.
Algo que o Danilo Gentili provavelmente não faria.

-Feliz

Bom, tá aí. Gostaria de agradecer a ajuda das minhas amigas Mari, Laís e Carol, e à minha irmã, Vívian. Pessoas muito importantes na minha vida que contribuíram com sua opinião sobre o assunto e me ajudaram a escrever o post.

O espaço para os comentários é livre. Podem falar o que quiser, usei o post de hoje para expor minha opinião sobre um assunto que foi bastante comentado no universo geek essa semana. Ninguém precisa concordar comigo, meu objetivo aqui foi mostrar o por quê de eu ter decidido apoiar a decisão do Rafa Albuquerque de pedir a retirada da capa para a DC.
Mas eu realmente gostaria de ouvir o que vocês têm a dizer.

batima

Boa sexta-feira e até domingo, leitores!