Giblog #096

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Normalmente eu não sou o cara que fica de mimimi ao ver alterações significativas em adaptações para o cinema. Detesto ser aquele que diz: “isso não tá no livro!” Eu entendo perfeitamente que quadrinhos, livros e filmes são mídias diferentes e cada uma contém sua peculiaridade. Cada uma tem sua linguagem e uma forma distinta de comunicar com o público, e inclusive, não raro, o próprio público diferente. Desde que funcione, por mim tudo bem.

Foi justamente esse o problema de O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos. Não me importei com o arco da vingança de Azog ter se estendido tanto, nem mesmo com o romance entre a elfa Tauriel e o anão Kili. Pra mim, foram tramas paralelas convincentes e bem contadas. Só que a tentativa de esticar uma história de um livrinho de 300 páginas em três filmes de 3 fucking horas cada resultou em uma bagunça de elementos colocados ali sem necessidade alguma e a negligência de um dos aspectos mais importantes que compõem uma trilogia: coerência. Se Thorin ficou obcecado pelo Tesouro e pelo poder, o mesmo parece ter acontecido a Peter Jackson.

Por exemplo: qual foi a necessidade de enfatizar de maneira tão didática e esticada a volta de Sauron? Tudo o que era necessário mencionar já havia sido discutido em Valfenda ainda em Uma Jornada Inesperada. Toda a sutileza sobre o surgimento de um Necromante deu lugar a um didatismo que prejudica uma boa narrativa, quase literalmente jogando a informação na nossa cara e falando “olha, Sauron voltou, viu?”. Também já havia o elemento de tensão representado na disputa pelo tesouro de Erebor, que culminaria na grande batalha, não tinha necessidade de colocar mais um clímax. E o pior, a conclusão dessa subtrama ainda deixou um furo em A Sociedade do Anel, no momento em que Gandalf segue a Gondor para pesquisar justamente sobre o que já havia acontecido ali em sua frente.

Também ainda não me sai da cabeça que Legolas só está nos dois filmes pra repetir as demonstrações de fodacidade do Senhor dos Anéis em que todo mundo gritava “uhuuu” no cinema. Ou seja, mais um elemento ali que não colou.

Mas não quero soar só como um nerd reclamão. A Batalha dos Cinco Exércitos é, sim, um bom filme de guerra e entrega satisfação em cenas com fileiras de soldados se engalfinhando e combates individuais bem orquestrados. O desfecho da trama de Smaug, por exemplo, não foi anticlimática como no livro e a conclusão da disputa entre Azog e Thorin também empolgou. Igualmente emocionante foi ver a volta de Bilbo para o Condado e relembrar a sensação de andar pela Terra-Média pela primeira vez ao som da característica música tema dos hobbits. Só é uma pena que Jackson, por mais que tenha provado seu amor à obra de Tolkien, tenha perdido o foco e tentado fazer um segundo Senhor dos Anéis. Uma Jornada Inesperada continua como meu favorito.

Enfim, bem-vindos de volta, caros leitores!
-Feliz

Friday, bloody Friday #106

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Clique aqui para acessar o blog da Sakura Amai, a cosplayer de Hell City.

Bom, leitores, agora devo comunicar que terei que adiantar meu recesso de fim de ano, pois como eu já havia mencionado, na próxima semana estarei em São Paulo para a Comic Con Experience. O Café do Feliz volta à atividade no dia 14 de dezembro, mas até lá, acompanhe a Fanpage para notícias e fotos da CCXP.

Bom final de semana para vocês e até a próxima!
-Feliz